Eu era tão amorosa, com um olhar tão ingénuo e inocente. Eu tenho a porra de um CD do Camp Rock! Eu era aficcionada pela Avril Lavigne! Gostava da onda punk cor-de-rosa e delirava com os palavrões ocasionais da música. Eu percebia de html e css, fazia websites, tirava selfies engraçadas e infantis, fazia efeitos no computador. Eu coleccionada merdinhas, era viciada no hi5, adorava ler colecções grandes como Uma Aventura, Bando dos Quatro, Triângulo Jota, e devorava-os em pouco tempo. Eu acendia velinhas, colocava um aroma perfumado a queimar, dançava hiphop ao som de 50 Cent ou abanava o capacete ao som do Boom Boom Pow. Eu era meticulosamente arrumada, andava sempre com o cabelo liso e muito bem penteado, vestia-me sempre com duas estações de moda de atraso, era poupada até dizer chega. Gastar 50 euros num par de calças ou num par de ténis era o expoente da riqueza. Detestava músicas calmas. Era tão boa menina.
Agora digo muitos palavrões, ando de prioridades trocadas, a expressão é distorcida, má, manipuladora, sedutora, entusiasta, plastificada, convincente. Ando de cabelo pintado, armada garota alternativa, ouço jazz, uso robe, deixo a comida que não comi no quarto, danço com desconhecidos, adotei um passo lento de andar...
A curiosidade de falar com estranhos online transformou-se em exibicionismo virtual, os ténis viraram sabrinas, os casacos de algodão são agora casacos de couro, os brincos de flores e brilhantes são argolas e alargadores, as paixões platónicas tornaram-se num amor amedrontado, os xD viraram lol, o "k" das sms transformaram-se em "que", o ser poupada e sensata foi pelo caralho, o quarto anda com um cheiro estranho, as calças piratas deram lugar ás minissaias...
Se estou feliz? Sim. Cada vez mais. Se gosto? Não muito. Traí-me.
Old
19 de agosto de 2014
7 de agosto de 2014
Delirium tremendoooooooooooooooooous.
Olha a maneira como ela fala para mim. Com a voz calma, controlada, suave, num tom baixo, dentro do audível. Mas com uma nota de tensão bem patente. Ela está insegura. Ela tem medo da minha imprevisibilidade. Diz que daqui a duas horas irei receber visitas. Diz para me portar bem. Portar bem? Que idade tenho? Quatro?! Só pode. Na verdade, para ser honesta, não tenho a certeza da minha idade. Não tenho mais acesso aos meus documentos pessoais. Não faço a mínima de que dia é hoje. Ou em que ano estamos. Ou há quanto tempo aqui estou.
O Dr. Silva começa a sessão pedindo a minha apresentação rotineira.
"Olá, o meu nome é Susana, tenho 21 anos e vivo em Algés."
Rotina idiota, mas necessária, diz ele. Uma consciencialização. Um memoir que supostamente testa a minha sanidade, pois tenho acessos amnésicos, em que ataco inocentes. Diz-me ele.
"Estou internada no Centro Psiquiátrico de Lisboa. "
Talvez até seja verdade. Mas como realmente provar? Como uma louca admite a loucura? Como uma sã admite a sanidade? Como sabe, como distingue a verdade, a realidade?
Sinto a cabeça pesada. Forma-se um burburinho, um ruído de fundo, por detrás da voz pastosa do Dr. Silva, que gradualmente aumenta de intensidade. Já não o ouço. Em vez disso, oiço aquela voz melancólica, aquela voz que me subordina. E estou fora de mim. Grito. Sinto-me a berrar a altos pulmões. Oiço o som estridente da minha própria voz, mas não a reconheço como minha. Parece que assisto ao sonho confuso de uma outra pessoa. Uma pessoa que desfechou o punho em torno do pisa papéis e que tenta atingir tudo o que estiver ao alcance. Folhas voam, material de escrita espalha-se pelo chão. O globo que enfeitava a mesa de madeira, caí, desprende-se da estrutura e rebola pelo chão. Eu chuto. Eu vejo o pânico do Doutor, o pânico de um menino que clama pela mamã, que estremece ao ritmo da minha respiração.
"Sim..."
E no segundo seguinte, o animal selvagem é domado por corpulentos homens de branco. Estrebucha, tenta livrar-se daquele casaco branco. Grita ainda mais. Ataca. Arremessa o pisa papéis contra o espelho. Estilhaços voam. A criatura encara os cacos no chão, encara o reflexo dividido dos estilhaços no espelho. Espera, aquela sou eu?
Cena dois. O quarto branco do castigo. Estou sozinha. Ao menos o espaço é-me familiar. Ainda tenho aquele casaco merdoso vestido. Tenho os braços presos ao meu próprio corpo. Preciso de mijar. Sinto-me tonta. Injectaram-me outra vez alguma coisa que me deixa dormente, aqueles filhos da puta.
O Dr. Silva começa a sessão pedindo a minha apresentação rotineira.
"Olá, o meu nome é Susana, tenho 21 anos e vivo em Algés."
Rotina idiota, mas necessária, diz ele. Uma consciencialização. Um memoir que supostamente testa a minha sanidade, pois tenho acessos amnésicos, em que ataco inocentes. Diz-me ele.
"Estou internada no Centro Psiquiátrico de Lisboa. "
Talvez até seja verdade. Mas como realmente provar? Como uma louca admite a loucura? Como uma sã admite a sanidade? Como sabe, como distingue a verdade, a realidade?
Sinto a cabeça pesada. Forma-se um burburinho, um ruído de fundo, por detrás da voz pastosa do Dr. Silva, que gradualmente aumenta de intensidade. Já não o ouço. Em vez disso, oiço aquela voz melancólica, aquela voz que me subordina. E estou fora de mim. Grito. Sinto-me a berrar a altos pulmões. Oiço o som estridente da minha própria voz, mas não a reconheço como minha. Parece que assisto ao sonho confuso de uma outra pessoa. Uma pessoa que desfechou o punho em torno do pisa papéis e que tenta atingir tudo o que estiver ao alcance. Folhas voam, material de escrita espalha-se pelo chão. O globo que enfeitava a mesa de madeira, caí, desprende-se da estrutura e rebola pelo chão. Eu chuto. Eu vejo o pânico do Doutor, o pânico de um menino que clama pela mamã, que estremece ao ritmo da minha respiração.
"Sim..."
E no segundo seguinte, o animal selvagem é domado por corpulentos homens de branco. Estrebucha, tenta livrar-se daquele casaco branco. Grita ainda mais. Ataca. Arremessa o pisa papéis contra o espelho. Estilhaços voam. A criatura encara os cacos no chão, encara o reflexo dividido dos estilhaços no espelho. Espera, aquela sou eu?
Cena dois. O quarto branco do castigo. Estou sozinha. Ao menos o espaço é-me familiar. Ainda tenho aquele casaco merdoso vestido. Tenho os braços presos ao meu próprio corpo. Preciso de mijar. Sinto-me tonta. Injectaram-me outra vez alguma coisa que me deixa dormente, aqueles filhos da puta.
Lista cinzenta.
Maneiras perfeitas de morrer:
- por alguém
- chupar cianeto
- overdose de cocaína
- tiro na cabeça
- ingerir veneno
- excesso de comprimidos para dormir
- atropelado
- injecção letal
4 de agosto de 2014
Quatro de agosto de dois mil e catorze
Adoro sorrisos contagiosos,
queria aprender a fazê-los para que todos a minha volta fossem mais felizes,
queria um sorriso com sabor a chocolate ,
daqueles que se guardam no bolso para comer mais tarde ,
mas muito tarde não, porque senão derretem-se.
Queria um beijinho doce como um sorriso,
na bochecha esquerda porque é aonde o papa a mama e a avó costumam dar.
O avo dá um passa bem e um sorriso também e diz: "então campeão quem é o melhor clube do mundo?" eu digo "Benfica" e ele dá-me um caramelo.
Quando for grande quero ser cowboy pegar numa pistola e ser herói.
Não gosto de meninas, mas gosto da Ana Clara, ela é bonita, sorri como o sol e usa flores na cabeça . Houve um dia , eu ofereci-lhe um malmequer e ela sorriu para mim , eu guardei aquele sorriso no meu bolso para mais tarde ma não muito tarde senão derrete."
- MIZU SHIRO
2 de agosto de 2014
Sun
Sun rays cracking on my windows
flowers flying as the wind blows
my baby is covered, under this white sheet
I'm teasing him by a touch with my feet
He smile, he laugh, he kisses my nose
We've hanging like this so far, so close
He cheers me by playing accent in british
He is making me giggle like a foolish
He is making my day, filling it with joy
I am gonna make this dude my boy
flowers flying as the wind blows
my baby is covered, under this white sheet
I'm teasing him by a touch with my feet
He smile, he laugh, he kisses my nose
We've hanging like this so far, so close
He cheers me by playing accent in british
He is making me giggle like a foolish
He is making my day, filling it with joy
I am gonna make this dude my boy
1 de agosto de 2014
Duelo
A guerra está em todos nós. Existe um conflito diário, por vezes facilmente combatido, por vezes insuperável, que toma a forma de problemas sociais. Sendo que os problemas estão unicamente no nosso eu individual. O duelo trata-se do ser ou não ser, encarar e lidar, ou recuar e reprimir, disfarçar, pretender, fingir, enganar. É mais fácil render, é mais difícil avançar. E ao que eu me refiro? Aos meios que utilizamos para alcançar os fins. Este texto, prometo que será confuso, pois falo de uma forma geral suprema; até posso especificar com um ou outro exemplo, mas o seu cerne, já se perdeu entre a primeira frase e a segunda. Mas ainda assim continuarei a escrever, pois, neste momento, estas palavras fazem sentido para mim. Tudo o que importa. Ah, e aproveito para mencionar que estou de estômago semi vazio e com algum álcool no sangue, o que elucida-me bastante a mente e obriga-vos a levar-me a sério. Ei. Atentem. Refiri-me ao meu público invisível, a um "vós". Ou seja, suponho inconscientemente, ou desejo que do outro lado, existam pelo menos dois pares de escutadores de canções de desabafo. Que iludida!
Ok. Retomando então o não-tema. Eu referia-me à não-paz. O porquê da guerra. A sua origem. A solução parece-me simples: carência e medo de julgamento. E talvez deva-se à percentagem de álcool ou à temática do livro que atualmente leio (A carícia essencial, livro de psicologia do afeto, muito fixe), porém, esta teoria promete ter algum fundamento. Só que agora estou com preguiça para escrever. Volto já.
Ok. Retomando então o não-tema. Eu referia-me à não-paz. O porquê da guerra. A sua origem. A solução parece-me simples: carência e medo de julgamento. E talvez deva-se à percentagem de álcool ou à temática do livro que atualmente leio (A carícia essencial, livro de psicologia do afeto, muito fixe), porém, esta teoria promete ter algum fundamento. Só que agora estou com preguiça para escrever. Volto já.
30 de julho de 2014
Noddyces
O bom do nacional na boca do senhor das bolas de berlim: Noddy! Quem comer o Noddy faz Noddysmo!
E tinha ataques de personalidade múltipla. Dizia "Já só tenho três!!", seguido de "Aldrabão!!" ou seguido de "Já só tenho quatro! Agora já só tenho cinco!"
Ou "Ah, você quer, é? Calma minha senhora eu não me vou embora, não me agarre" -
24 de julho de 2014
Cí-vio
Adoro viciar-me. Não é saudável, não. E nem sequer é o que especificamente cada sensação de cada vício nos provoca. É o alívio que vem depois da abstinência, o prazer máximo momentâneo. Um cigarro, chocolate, milho frito, um beijo, uma pessoa. A primeira passa após um longo período sem fumar. O derreter obsceno do chocolate na língua que provoca um mini orgasmo paladar, até o sabor desaparecer completamente, o viciante e cancerígeno sal fino aliado ao crocante e aromático milho, que nunca sacia - colocamos punhados e punhados na boca distraidamente, até ver com tristeza o prato ou o pacote esvaziar, ou até sentir a dormência na língua ou a desidratação da garganta... O beijo. Aquele sôfrego e intenso beijo, de quem quer devorar os lábios, a língua, a alma, o ser, tudo, tudo, até à exaustão. A pessoa... A pessoa que nos deixa saudades, que no provoca risos quando presente, que nos provoca choro quando ausente, que nos deixa um furo no peito, do tamanho do coração. Mas quando a vemos; não, quando estamos na expetativa de a ver, o furo emenda-se temporariamente. Enche-se de calor e de suspiros. De genuína felicidade. A saudade que está a ser consumida. Ansiamos pelo reencontro, qual fiel cão a abanar a cauda, qual impotente criatura que ama incondicionalmente. E no reencontro, há uma pequena explosão cósmica, estrelas cadentes morrem, universos nascem, cometas caem, o mundo dá uma volta de 360 graus. Há aquele abraço forte, que magoa, mas que tem o intuito de fazer o nosso corpo difundir com o outro, como duas massas sólidas que se querem líquidas naquele momento só para estarem mais próximas. É assim, o vício.
De acordo com nova teoria, Universo não deveria existir
Então, de acordo com este artigo, após a explosão do Big Bang, o Universo não deveria existir. A teoria não está completamente esclarecida, e como toda a ciência, ainda se trata de mera especulação. Por isso, fazendo o papel de cientista, aqui vou eu especular. Curtam lá estas teorias.
- Para quem via Futurama. Lembram-se do episódio em que o Fry entrou na máquina do tempo que lança para o futuro? O incidente da pizza? Ora, num dos episódios seguintes, na máquina do "E se.." alguém coloca a pergunta do "E se o Fry não tivesse entrado na máquina do tempo?". E então desenrola-se uma interessantíssima mindfuck de universos paralelos, cujo portão para se atravessar consiste numa caixa de cartão, e no meio, surge a teoria de que se o Fry contrariasse o rumo do seu destino, ele teria ido parar a um limbo, ao nada, e o Universo deixaria de existir. Devemos o presente ao Fry, graças a ele, existe a Humanidade, viva a personagem fictícia do Futurama, VIVA!!
- Como prova de que os acontecimentos são cíclicos, e a infinitude existe, imaginem a teoria do infinito. Uma civilização, designada de Hulanos viviam dinâmicamente, porém existiam conflitos civis. Uma explosão cósmica extinguiu a raça. Deu-se o Big Bang. Nova raça. Desta vez são os Humanos. Geração povoada pelos mesmos conflitos. O mundo acaba numa era que se chama Apocalipse e deve-se a uma explosão atómica. Nova raça. Agora, chamam-se Hunanos. Vão ter as suas ninharias sangrentas do costume e vão acabar com uma explosão celesférica (sim, inventei uma palavra nova, yay). Nova raça. (...)
- Outra vez fantasias. Desta vez, Harry Potter. E se há uns tempos atrás - nem precisam de ser muitos - feiticeiros e muggles conviviam pacificamente até que Voldemort apareceu e quebrou a aliança? Para protecção dos inocentes, os feiticeiro incutiram um feitiço de memória, criaram uma história, fizeram-nos desenvolver teorias para que justificássemos o nosso passado e esquecêssemos de que já tivemos uma vida alienada à magia? E depois, honrosamente, ou para simbolizar o efeito, permitiram que J. K. Rowling escrevesse, sob uma máscara fictícia, sobre a verdadeira História, para que os efeitos, apesar de recalcados, permanecessem gravados... E a autora, no fundo, é uma bondosa feiticeira, com humildes pais, que doa anualmente quantias exorbitantes à caridade para tentar equilibrar à sua maneira as injustiças do mundo. Esta parte é verídica, bate certo, hein? Hihi.
- Ok, agora a vez da religião, misturada com um bocadinhos de The Sims. Eu já tinha mencionado esta ideia, julgo eu, neste blogue. Pelo menos, não é novidade, portanto já a devo ter escrito. Imaginem que somos instrumentos de entretenimento para Deus. Somos como jogadores no The Sims. Temos dinheiro, bens, amigos. Vivemos. Cagamos. Temos crises conjugais. Gente morre. Gente passa fome. A única coisa que não acontece, é vendermos a janela para comprarmos pizza. Mas vendemos o relógio de ouro da avó para comprar coca, por isso, até que está lá perto. Quando o universo morre, significa que houve um erro de sistema no jogo, ou alguém deu reset. Opa, sei lá, vírus informáticos existem em todo o lado!!! E se formos imaginativos, podemos associar a palavra inglesa (o idioma universal) sin - pecado, a The Sims.. não? Não? Não. Ok.
Ainda bem que existe um espaço para eu largar a diarréia mental, sem que me julguem. Viva Alá.
23 de julho de 2014
Chopin Lizt
Bora Bora para mais uma listjinháá. Coisas que me atraem:
- sardas
- covinhas
- mãos cuidadas
- covinhas no fundo das costas
- pessoas tímidas
- alargadores
- cheiro de tabaco
- cheiro da canela
- sorrisos imprevistos
- perfumes femininos
- dormir depois do almoço
- ...
Metamorphosis
Um homem brasileiro decidiu que, já que era feio, não perderia nada em transformar-se no diabo. E foi o que fez. Injectou dois cornos, tatuou-se, esburacou a pele com alargadores, piercings e afins. Wonder why.
No Japão, tentemos ser compreensivos para esta exótica cultura, há uns tempos foi moda injectar a pele com silicone, para formar altinhos estranhos na superfície, como bolas, donuts, cornos, etc.. WHYYY???
Em Portugal, euzinha decidiu submeter-se a algumas sessões de acunpu-masoquismo e auto-mutilação para que o ego ficasse inchado por ter um par de tatuagens, uns piercings e uns alargadores.
E a pergunta: o que passa exactamente pela cabeça das pessoas quando se submetem a certos métodos dolorosos para alcançar um nível de beleza supostamente superior? E sem falar deste tipos de acessórios! Vamos lá mencionar apenas os mais óbvios: botox, depilação, arrancar de cutículas, dietas extravagantes que exigem fome... A beleza tem de doer assim tanto? Não podemos apenas ser Adões e Evas com pelinhos nas axilas, cabelos despenteados e cara lavada?
Agora, falando em acessórios. As minhas crenças, no fundo, também são tão fúteis como o cerne da minha crítica, mas bom argumento fundamenta e justifica a futilidade. Eis então os motivos pelos quais sou meio masoquista: começando, como é lógico, pelas tendências, eu tinha cerca de 14 anos quando decidi que queria ser uma chinesa ruiva-laranja, de piercing na cartilagem direita e com uma tatuagem. Lá fui pintar o cabelo, lá fui furar a orelha, mas deixei a tatuagem para mais tarde, pois ainda dependia financeiramente dos progenitores. Se fui mais feliz? Não sei, julgo que sim. Já alimentava a ideia da mudança, e acredito piamente de que o exterior auxilia na mudança interior. Como o feng shui na decoração, como o ambiente social em que vivemos: são elementos exteriores e físicos que nos influenciam inconscientemente, adaptamo-nos e aprendemos a gostar deles. Um brasileiro não nasceu com características do seu povo acolhedor e caloroso, mas adquiriu-as durante o seu desenvolvimento. Se este brasileiro emigrasse para o Japão, ainda jovem, provavelmente regressaria à terra natal com silicone injectado na testa em forma de donut. Eu estou a falar a sério:
Bagel Head -.-
Ah! E sei outra: Por a extrema beleza ser considerada uma perfeição pouco natural, para se tornarem mais imperfeitas, mais ainda assim apetecíveis, as japonesas submeteram-se a um aparelho dentário que em vez de endireitar os dentes, entorta-os. Sinceramente...
Continuando. Lá a mudança se efectuou, mas o ego não ficou saciado e aos 17 fiz a minha primeira tattoo. Prometi que seria a primeira e a única, uma vez que na altura ainda disponha daqueles valores morais de colocar o trabalho em primeiro lugar, e secretamente ambicionava em ser hospedeira de bordo (HAHAHAHA), um trabalho para o qual é rigoroso ter uma pele livre de acessórios deste cariz (HAHAHAHAHAHA) Ok. Lá se foram os valores de gaja decente. Cheguei nesse mesmo ano colocar um alargador, só que comecei a trabalhar, e como ainda persistiam os bons valores da moral e da decência, tive o bom senso de o retirar. Aos 18, fiz a segunda tatuagem e planeei fazer uma terceira, a cores. Os alargadores voltaram, a mãe ameaça desmaiar cada vez que dá uma olhadela à orelha e aqui estou eu a redigir um texto sobre acessórios na minha procura pela identidade. Oh, so deep.
Pois é, é isso. Se antes as tatuagens eram para yankees e piratas, a delinquência do agora informa-se acerca dos preços da tatuagem, se o material é limpo, se há risco de contrair SIDA, se a tinta permanente vai ficar num sítio que daqui a uns anos vai murchar quando formos velhos alimentados a Viagra e velhas com maminhas decadentes. Os jovens que furavam a língua na casa de banho da casa, passaram a furar nas lojas autorizadas por organizações de saúde pública e depois de a furarem, dirigem-se para o dispositivo fotográfico mais próximo para poderem tirar uma #selfie, e colocar no #facebook ou em outras redes sociais que permitem hashtags. Os acessórios deixaram de servir para chocar as mentes tradicionais, agora só têm como utilidade enfeitar, e no máximo, impressionar impressionáveis.
Além das irresistíveis tendências do nosso amado século vinte e um, a juventude começou a achar essencial perfurar a pele com utensílios afiados, mas esterilizados, para marcar a sua identidade. E aqui está o meu segundo motivo. Como referi, aos 14, numa tentativa de sair da antiga personalidade, comecei a fazer como as cascáveis: arrancar a pele envelhecida. Portanto, recorri à metamorfose que tanto deixa a mãe desgostosa. E entra aqui a teoria da identidade. Ponto um, nós somos o que queremos, mas também somos aquilo que os outros nos rotulam. Não existe um meio termo. Ou seja, a forma como nos manifestamos, mesmo que contrárias às nossas crenças vai ser aquilo que nos define. No ensino secundário, se recusas a primeira saída nocturna, não surgirão mais convites. Se tiras a nota máxima, meu amigo, prepara-te para o plágio da carteira ao lado. Então, não é apenas querer. Para o ser, tens de agir como tal. E a maneira mais fácil começa por definir os valores, os interesses. Depois passa por adequar o círculo de amizades e o visual a tal. Organizar a mente, tomar um rumo e decorar o ambiente para que se adeque ao nosso mantra. Ao espalhar o lema, o efeito ricochete é que as pessoas ao redor irão nos tratar tal como nos mostrámos, ou seja tal como sempre quisemos. Mesmo que isso vá contra as tendências atuais. Por exemplo, se eu, cá em Portugal, começar a achar graça aos donuts na cabeça, o primeiro passo a tomar é aceitar que quero o raio do donut enfiado na testa. Se nem eu aceitar, os comentários depreciativos (de pessoas que obviamente não acham atraente a ideia de ter um donut na testa - oh va lá, uns cornos ainda vá que não vá, um donut???) irão criar complexos e vacilos. E aí surgem as crises existenciais. Oh, quem sou eu? Ser ou não ser, eis a questão!
Tudo isto, apenas para justificar a minha auto-criticada ridícularidade em querer fazer estas coisas estranhas ao corpo. A sério, tenho orelhas tão wiiNdAz, com uns lóbulos a ameaçar tornarem-se o próximo sex symbol cosmopolitano, por que raio é que decidi alargá-lo com dois buracos fedorentos?! Modas, vá se lá saber. Portanto é isto. Façam os disparates corporais que quiserem. Desde que o saibam justificar.
17 de julho de 2014
7 de julho de 2014
Monstrinhos na cabeça.
É bom ver-te dormir, com uma serenidade estampada no rosto, tão fofo.
Sonhei contigo, mas nada de bom... O meu inconsciente a revelar as mais negras preocupações, do género mais absurdo e que eu costumo tentar ocultar.
Não me preocupo. Comigo sim, contigo não. Já deixei de viver das recordações, já não deposito nelas aquela expectativa, apesar de ainda gostar de as manter bem vivas. Agora é apenas presente, e se não viver presencialmente, fisicamente, o inconsciente ataca: surgem as dúvidas, os contrabalanços entre a verdade e a imaginação, a necessidade de mais provas de que isto existe, os medos ressaltam. Monstrinhos nascem e devoram neurónios e eu fico uma neurótica nervosa.
Nada de mais, confio em ti. Há-de passar num instante, é apenas um teste do tempo.
Sonhei contigo, mas nada de bom... O meu inconsciente a revelar as mais negras preocupações, do género mais absurdo e que eu costumo tentar ocultar.
Não me preocupo. Comigo sim, contigo não. Já deixei de viver das recordações, já não deposito nelas aquela expectativa, apesar de ainda gostar de as manter bem vivas. Agora é apenas presente, e se não viver presencialmente, fisicamente, o inconsciente ataca: surgem as dúvidas, os contrabalanços entre a verdade e a imaginação, a necessidade de mais provas de que isto existe, os medos ressaltam. Monstrinhos nascem e devoram neurónios e eu fico uma neurótica nervosa.
Nada de mais, confio em ti. Há-de passar num instante, é apenas um teste do tempo.
30 de junho de 2014
Aromas citrinos.
Hoje tive um pequeno paraíso. Foi assim:
Carinho matinal.
Beijos que despertam suavemente.
Toque gentil na pele.
Amor.
Sol.
Vestir a roupa dele.
Cigarro.
Óleo de amêndoas,
Cochilo.
Croissant de chocolate.
Conversas.
Pizza.
Bolas chinesas.
Condução atribulada e suicida.
Mensagem carinhosa.
Aromas citrinos na pele.
Carinho matinal.
Beijos que despertam suavemente.
Toque gentil na pele.
Amor.
Sol.
Vestir a roupa dele.
Cigarro.
Óleo de amêndoas,
Cochilo.
Croissant de chocolate.
Conversas.
Pizza.
Bolas chinesas.
Condução atribulada e suicida.
Mensagem carinhosa.
Aromas citrinos na pele.
4 de junho de 2014
Era uma vez um início.
Então eu era a menina que tinha medo de se apaixonar, de se entregar e revelar cada uma das suas facetas. Quem eras tu? Entraste assim, sem me dar tempo de perceber o que estava a acontecer: repentinamente mas da maneira mais clean possível, porque "contigo não faço jogos". E eu senti-me tentada a acreditar. E suponho que tenha começado como todas as histórias começam, cada um a querer saber tudo sobre o outro. Aí, descaí-me tanto, mas tanto que se não fosse a segurança que me transmitias, provavelmente fechar-me-ia ainda mais neste casulo. Mas continuei a falar. Como és, como são os teus pais, que relações tens, os teus gostos, o que te faz feliz, o que te irrita, onde gostarias de ir.
Surgiu a primeira minha crise. Era meio que previsível, afinal não serias tu a mudar o Roma não se fez num dia. Se eu demorei mais que três anos a superar minimamente, surpreenderia-me bastante se estas crises sumissem. Eu fugi durante alguns dias, tentando não te influenciar. Erro. Teve o impacto contrário e por este descuido ou mal-entendido, afastei-te, tal como faço com tudo e todos, tal como sempre fiz. Não sei porquê, mas pensei que isso não se sucederia. E tal como já previa acontecer, magoar aqueles que nos são/estão próximos, magoei-te e lamento profundamente por isso. O que é de salientar nesta história foi o modo como reagiste. Sem medo das lágrimas, sem se desorientar com a incompreensão, e sempre sempre jurando estar comigo, fazendo-me prometer que contaria contigo. Amei.
E agora, embora semi-despida e super vulnerável, sinto-me bem. Algo de segura, algo de feliz. Mas por agora já não receio nada, porque parte de mim, já foi entregue a ti, e muito bem cuidada.
Fazes-me feliz, obrigada.
23 de abril de 2014
Silence
Got hungry
so I fed myself
with worry
Shoving the emptyness
from the heart to my head
with bottles of Loch Ness
Pretending to care
Giving a shit,
Taking it till I can't bare
But if I cannot barely think
Either can I stop the heart to shrink
And it just fades away
As long as the time passes by
so I fed myself
with worry
Shoving the emptyness
from the heart to my head
with bottles of Loch Ness
Pretending to care
Giving a shit,
Taking it till I can't bare
But if I cannot barely think
Either can I stop the heart to shrink
And it just fades away
As long as the time passes by
23 de março de 2014
Suspira, suspiro
Sente um roçagar, mas de olhos fechados.
Um toque com os dedos frios.
Um arrepio.
Há algumas horas que estamos calados.
E isso estranhamente não me inquieta.
Escuta os murmúrios.
O bater do coração.
Os suspiros.
A respiração.
E o tempo,
passa
passa
passa
Há alguns meses que procurava isto, e enfim.
(A sensação)
Protecção, carinho segurança.
Alguém que tomasse conta de mim.
Que me desse alguma confiança.
E esse toque na tua pele, um bocadinho a medo
tentando prever a reação.
Observado, apreciando.
Como descobrir um segredo.
Um toque com os dedos frios.
Um arrepio.
Há algumas horas que estamos calados.
E isso estranhamente não me inquieta.
Escuta os murmúrios.
O bater do coração.
Os suspiros.
A respiração.
E o tempo,
passa
passa
passa
Há alguns meses que procurava isto, e enfim.
(A sensação)
Protecção, carinho segurança.
Alguém que tomasse conta de mim.
Que me desse alguma confiança.
E esse toque na tua pele, um bocadinho a medo
tentando prever a reação.
Observado, apreciando.
Como descobrir um segredo.
26 de fevereiro de 2014
Something missing.
É ténue a linha que separa o sério do ridículo, o absurdo do credível. Assim como as emoções que se dizem opostas. Como a felicidade e infelicidade. Existe uma ponte que liga todos estes elementos, aliás, que liga toda as contradições. Define-se frequentemente por confusão, mal entendido. Expressa-se por fingimento.
E a este desabafo devo uma transição entre estes dois estados, tal Roma que se fez num só dia, que agora me apercebi. Assim, subitamente, sem aviso. Um aparte: ridículas são esta expressões, deverão os sentimentos por detrás serem levados em conta? Isto bem que pode ser uma daquelas previsíveis cartas de suicídio, palavras que apenas são levadas a sério se existir a ameaça, ou pior, o acontecimento. E agora um aparte, dentro do aparte: porque é que a morte é tão significantemente fatal?
Retomando: voltou o vazio, feeling like shit again. Sei que ontem estava feliz. De um momento para outro acumulei alguns nervos. Senti-me sob a necessidade de continuar o teatro da felicidade. E quando dei por mim, estava a fingir (novamente) o esgar que se assemelha ao sorriso. Por fim, afundei-me.
Há uma coisa que, caro desconhecido, ainda antes de me conheceres, deves saber: tenho tendência a criar distância das pessoas com quem começo algo, após estas conhecerem-me superficialmente. Não há passo seguinte. Honestamente, nem eu mesma sei o que há depois disso. Desconheço se haverá mais por debaixo da ponta deste icebergue sorridente, ou se é apenas demais futilidade. No entanto, consigo assistir ao desenrolar da cena, como uma expectadora.
E a este desabafo devo uma transição entre estes dois estados, tal Roma que se fez num só dia, que agora me apercebi. Assim, subitamente, sem aviso. Um aparte: ridículas são esta expressões, deverão os sentimentos por detrás serem levados em conta? Isto bem que pode ser uma daquelas previsíveis cartas de suicídio, palavras que apenas são levadas a sério se existir a ameaça, ou pior, o acontecimento. E agora um aparte, dentro do aparte: porque é que a morte é tão significantemente fatal?
Retomando: voltou o vazio, feeling like shit again. Sei que ontem estava feliz. De um momento para outro acumulei alguns nervos. Senti-me sob a necessidade de continuar o teatro da felicidade. E quando dei por mim, estava a fingir (novamente) o esgar que se assemelha ao sorriso. Por fim, afundei-me.
Há uma coisa que, caro desconhecido, ainda antes de me conheceres, deves saber: tenho tendência a criar distância das pessoas com quem começo algo, após estas conhecerem-me superficialmente. Não há passo seguinte. Honestamente, nem eu mesma sei o que há depois disso. Desconheço se haverá mais por debaixo da ponta deste icebergue sorridente, ou se é apenas demais futilidade. No entanto, consigo assistir ao desenrolar da cena, como uma expectadora.
25 de fevereiro de 2014
Get lost in my innocence
Because I am affraid of not growing up, still being a naive child.
Misunderstooding with my immaturity and madness, are these the small details that make my sunrise.
12 de fevereiro de 2014
Suddenly
Nunca irei estar livre deste vazio se nunca confiar em alguém. Já quase que me esqueço daquilo que me atrofiou a ligar-me a uma pessoa; estou no precipício, a ponto de apreciar a lidão-aidão...
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